Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura apresentam

Para mudar o mundo

Por Erik Martins

Já começo pedindo desculpas porque a intenção deste texto não é fazer uma lista de coisas a serem realizadas para mudar o mundo. Eu não sei como fazer isso. Ninguém sabe, pelo menos não completamente. 

Veja, não tem uma receita para tornar o mundo um lugar ideal (acredite, eu bem gostaria disso). Vivemos em uma sociedade tão complexa, repleta de perspectivas, desejos, e possibilidades; e não existe uma forma única de fazer as coisas, seria muito simplista dizer que sim.

 Mas o que eu posso fazer é dar o start, trazer aquela centelha inicial que pode te tomar por completo para que, assim, você encontre formas de lutar por uma sociedade mais justa e equitativa. E isso começa quando a gente percebe nosso entorno.

 É hora de acessar a sabedoria milenar de uma criança de cinco anos e se perguntar “por quê?”. “Por que isso é assim, por que aquilo tem que estar ali… por que, por que… por quê?” E não só isso, mas procure entender o “para que”: qual é o propósito das coisas serem como são?

 Pode ser um pouco frustrante, porque muitas perguntas não terão respostas nem sentido. É o famoso “sempre foi assim”. E você há de convir que isso não é uma explicação muito válida, não é?

 Perceber que vivemos em uma construção de ideais que nem sabemos de onde vêm ou pra que servem pode ser muito frustrante e incômodo. AH, sim, o incômodo. Você vai sentir muito isso de início, mas não se preocupe, aceite essa sensação.

 Temos o hábito de querer nos livrar rapidamente daquilo que nos causa desconforto. Compreensível. Mas para abalar estruturas externas, precisamos, primeiro, fazer isso nas internas. Questionar certezas, e todo o mundo que você formalizou em sua psique é fundamental para esse processo.

 É como depois de um longo cochilo, quando você acorda e se sente meio amassado, meio doído. Seu corpo pede por uma espreguiçada, um alongamento.

E aí sim você começa a se disponibilizar para o mundo. É preciso deixar o terreno do ser fértil, para que possamos cultivar utopias.

 Conforme vai fazendo esse exercício, mais dúvidas e mais sentimentos. Mas não só os negativos, tá? Sim, a gente se sensibiliza, e ver outra pessoa sofrer, por exemplo, presenciar uma injustiça, é desolador, revoltante, e quantos mais sentimentos podem ter surgido aí agora.

 Mas também tem o outro lado. Quando, sem querer, reparamos que nos emocionamos com uma cena linda de uma ação coletiva; quando redescobrimos um pouquinho mais nosso lugar no mundo; aquele momento em que você sente que está fazendo pela primeira vez aquilo que fez milhões de outras vezes, mas agora presente, atento de corpo e alma.

 Parece que estamos nos conhecendo pela primeira vez, e de certa forma estamos. É um acordar das sensações e sentimentos, e ativar o pensamento de forma crítica. E uma vez que esse processo começa, não para mais.

 Também, se é um conforto, fica mais fácil com o tempo. A gente pega a prática, e vamos nos adaptando e ampliando nossos conhecimentos. Então, a luta não é só luta.

 Mas é esse movimento, de fora para dentro, para fora novamente, de forma crítica e ao mesmo tempo sensível, que nos desperta para o mundo. E a partir daí nós podemos mudar o mundo. Não com uma lista de tarefas, mas estando presentes, refletindo, questionado e sentindo.

 Assim se muda o mundo, quando se decide aceitar e conhecer a si mesmo, e pela primeira vez, conhecer o seu entorno.

Erik Martins é ator e psicólogo, um carioca que pauta seu trabalho e seu estar no mundo pela comunicação com propósito. Acredita que o contato de fato é transformador e um grande impulsionador dos direitos socioambientais.

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